A perspectiva histórica

14 de julho de 2024

“Ilha das Cabras: uma breve história”, do arqueólogo dr. Plácido Cali

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“Eu sou uma ilha desconhecida, perdida

algures neste oceano. Não me conheço, não

me sinto, não me tenho e quando me

procuro, não me encontro. Tento dar um

pouco de mim, todos os dias. Tento libertar-

me e gritar quem sou. De que me serve tudo

isso? Sou uma ilha desconhecida, igual a

qualquer outra. E como qualquer outra,

espero um barco que me mostre, afinal de

contas, quem sou eu e o que faço perdida no

oceano, no meio de tantas ilhas todas

diferentes, todas distantes.

(Somos todos uma mera ilha desconhecida.

Partilhamos o mesmo oceano, mas não

partilhamos os mesmos rumos. Somo-nos

desconhecidos. Não nos conhecemos a nós

próprios, muito menos aos outros.)”

José Saramago

O texto do escritor português José Saramago abre o estudo “Ilha das Cabras: uma breve história”, do arqueólogo dr. Plácido Cali. O resultado da pesquisa é de uma riqueza histórico-geográfica incontestável. Ao debruçar-se sobre a cartografia local, Plácido elabortou um estudo completo e quase poético da Ilha das Cabras e do entorno. Leia alguns trechos abaixo:

“Considerando que foram analisados centenas de mapas de São Paulo e do Brasil, e que a Ilha das Cabras é representada apenas sete vezes, até o século XIX, e que apenas um mapa traz o seu nome ao lado de seu desenho, é possível inferir a pouca importância da ilha, que até meados do século XX ficou desabitada e sem qualquer uso.

Como no século XVIII ela já se chamava Ilha das Cabras, supõe-se que haveria cabras no local, o que era comum para mantê-las isoladas, e pelo fato delas se adaptarem à topografia dessas ilhas costeiras. Daí termos várias Ilhas das Cabras, mesmo em Ilhabela, junto da Ilha da Vitória, em Ubatuba, Guarujá e Itanhaém, em São Paulo em Camboriú, Santa Catarina, em Alagoas, e até nos Açores, em Portugal, e em São Tomé e Príncipe. Isto até certo ponto explicaria a quase ausência de vegetação que se observa nas fotografias antigas e nos relatos de caiçaras.

Somente em 1911 e 1912, é que a Commissão Geographica e Geologica do Estado de S. Paulo irá produzir dois mapas

com o desenho e o nome da Ilha das Cabras. Uma é a Planta do Litorial de S. Sebastião e o Rio Juqueryquerê (…)

A planta São Sebastião, produzida com base em imagens aéreas de 1966, através de convênio entre o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o IGC – Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo, foi publicada em 1975, em escala de 1:50.000, e traz o nome e representação da Ilha das Cabras.

Desde então, a Ilha das Cabras tem sido representada nos mapas modernos de qualidade.

 

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